Distribuição de renda e desenvolvimento econômico demoram demais e a solução mais óbvia é a eliminação literal do problema.
É cruel, claro, matar pessoas sempre é uma medida impopular, vai faltar plaquinha de nome de rua pra homenagear tanta gente. Mas o problema não é esse, e sim o método.
É necessário separar exatamente todos aqueles que são realmente pobres e evitar ao máximo acertar quem esteja fora do grupo alvo.
A melhor ideia selecionada é a seguinte:
Bolo de aniversário da cidade.
Não há maior festa da selvageria e do egoísmo populo-pé-rapadístico que a tradicional distribuição do bolo de metro de festa de aniversário da cidade.
"- Ah, semana que vem nosso município faz 100 anos Sr. Prefeito, seria uma ótima ideia fazer 100 metros de bolo e distribuir para a cidade, o que acha?"
Então alguma panificadora gentilmente fornece uma quantidade absurda de pão de ló seco e chantilly sem vergonha pra fazer aquele bolo horroroso que atrai a atenção de uma classe muito específica da população. Justamente essa a classe que o plano de eliminação quer chegar, a do pobre fodido lascado que raramente come algo muito melhor que uma fruta na sobremesa e possui uma tolerância bem alta quanto a qualidade da alimentação.
Primeiramente seria necessário reativar a tradição do bolo de metro, financiar em escala nacional a volta das festas durante alguns anos para que toda a população que se submete a isso se acostume a já planejar com antecedência a ida para o evento com a voracidade que se espera desse grupo da população.
Após 4 ou 5 anos de implantação da nova tradição, seria fácil convencer a todos que no dia 7 de setembro o governo federal decidiu, em um ato de bondade, realizar uma grande festa nacional do bolo de metro gratuito pelo aniversário da independência do Brasil. Note, é fundamental que todos participem ao mesmo tempo, o elemento surpresa evitará que os mais precavidos se salvem e economizará recursos financeiros em relação a enterros.
No dia da festa, após a selvageria, todos levarão seus pedaços de bolo vorazmente conquistados, dentro de seus potes de plástico, e distribuirão para toda sua família. A classe média e alta, enojada pela cerimônia e pela desapetitosa comida, não será afetada. Com isso, é seguro afirmar que toda a população pobre do país poderá ser envenenada, com o devido cuidado de se utilizar um veneno que só faça efeito após 2 dias, gerando em menos de uma semana o tão desejado objetivo deste plano.
Mas como envenenar tanta gente? É fácil, o governo doará toda a farinha utilizada na confecção dos bolos, farinha previamente obtida em uma grande licitação nacional em que o fornecedor se comprometeu a adicionar em toda a produção o "aditivo vitamínico" fornecido pelo estado.
É cruel, mas é possível. Outras soluções envolvendo corte de água, luz e alimentos não parecem ser tão eficientes. Campos de concentração tem sua eficácia comprovada, mas o Brasil não possui a malha ferroviária necessária para o transporte da população.
Muito precisa ser ainda melhorado, mas o cerne da questão já está resolvido. Estou aberto para sugestões e dicas para eliminar outros problemas como estes.
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